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Convento do século XVII e XVIII, construído para abrigo das monjas descalças ou recolectas, que professaram com devoção e piedade as regras de S. Bernardo.

Na rota dos mosteiros da Ordem de Cister

A sua obra com traça primitiva chegou até ao reinado de D. Jose. Todo ele é fiel a tudo o que impede a correcta vivência e prática do evangelho segundo a regra de S. Bernardo, quer na sua pureza, quer no facto de se restringir ao essencial. O Convento forma um quadrilátero dentro de uma cerca, rodeada de altos muros em granito. No exterior aprecia-se o magnífico pórtico maneirista formado de elementos classicizantes conjugados de forma ambígua e decorado com motivos geométricos. O mesmo é constituído por duas pilastras, de fuste almofadado. Ao centro posiciona-se um nicho rematado por uma concha, na qual se encontra a imagem de São Bernardo. Este é ladeado por dois enrolamentos de filetes. O remate é ladeado por dois pináculos piramidais coroados por uma bola, enquanto o centro é marcado por um exuberante brasão da ordem, delineado por concheados, que resulta de uma intervenção realizada na segunda metade do século XVIII. Um enorme escadório dá acesso à torre sineira, encimada por quatro pináculos, rasgada por enormes janelões. Neste mirante nasceu uma história engraçada, relatado por Aquilino Ribeiro na sua obra “O Valeroso Milagre”: durante as invasões francesas, que arrasavam as aldeias circundantes, as pessoas fugiam para o Convento. O padre, sentindo a ameaça dos bárbaros franceses, quis criar uma manobra que os afugentasse. Pensou, pensou e a ideia que lhe veio foi, aproveitando a noite, trazer todos as imagens de santos para o mirante, rodeá-las de velas a arder e, com os vultos das imagens a assemelharem-se a figuras humanas, os franceses foram embora, sem que o Convento e quem lá estava dentro sofressem qualquer dano. Relativamente à vertente arquitectónica, no interior do Convento destaca-se o elegante claustro com dois andares, o superior delineado por uma balaustrada rectilínea, enquanto no inferior se erguem colunas toscanas. Ao centro, posiciona-se uma fonte de grande exuberância decorativa e formato ondulado, características que são muito próprias do Rococó. Claro que estas características faziam parte do Convento de Nossa Senhora da Assunção nos tempos da sua fundação e enquanto funcionou como tal. Este que foi um Convento da Ordem de Cister, foi também o último a ser encerrado em Portugal. A história ditou que com o fim das ordem religiosas, este espaço ficasse entregue à sua sorte, o que levou à pilhagem e destruição. Escapou à desvastação a Igreja, pertença do povo de Tabosa do Carregal. O Convento esse encontra-se agora na posse de particulares que lhe pretendem devolver a importância de outrora.

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